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Cripto e exchanges

Golpes com criptomoedas: os principais tipos e como verificar

Plataformas falsas, golpes românticos, pump and dump, sorteios falsos, falsificação de identidade e golpes de recuperação, segundo os reguladores, e como verificar.

Atualizado em 18 de outubro de 2026

Por que a cripto atrai golpistas

Uma transferência de cripto não pode ser desfeita depois de confirmada, e é exatamente isso que os fraudadores querem. As autoridades de supervisão financeira da UE alertam que os golpistas usam e-mails de phishing, engenharia social e links maliciosos, prometendo retornos irrealisticamente altos ou dizendo ser autorizados ou regulados quando não são. Abaixo estão os principais tipos de golpe, como reguladores e polícias os descrevem, seguidos das verificações que barram a maioria deles.

1. Plataformas de negociação falsas

O site ou aplicativo parece uma exchange de verdade, com operações e um saldo que cresce. A reguladora de valores mobiliários da Austrália, a ASIC, descreve assim: essas plataformas falsas mostram lucros e operações, mas, na verdade, não há negociação nenhuma e o site contém dados falsos; todo dinheiro depositado nelas vai direto para os golpistas. Quando você tenta sacar, as plataformas falsas cobram taxas para liberar os ativos ou os ganhos; essas taxas também vão direto para os golpistas, e nenhum ativo é liberado. A ASIC diz que as vítimas são convidadas para grupos em aplicativos de mensagens onde os golpistas se passam por figuras conhecidas.

O FBI, a polícia federal dos EUA, orienta os investidores a ficar atentos a endereços web que imitam instituições financeiras reais e a aplicativos de investimento suspeitos: URLs com erros de grafia, muitas vezes com uma pequena diferença em relação ao site verdadeiro da instituição financeira, podem ser falsas.

2. Golpes românticos e de “amigos” investidores

O FBI chama esse esquema de “Pig Butchering” (engorda do porco para o abate). Os fraudadores fazem contato em redes sociais ou aplicativos de namoro (fingindo ser um contato antigo que a vítima conhece ou se apresentando como um possível amigo ou par romântico) e muitas vezes passam um tempo conquistando a confiança da vítima. Depois, eles orientam a vítima a entrar em uma plataforma falsa. Quando as vítimas tentam resgatar seus investimentos, ouvem que precisam pagar imposto de renda ou taxas adicionais, e acabam perdendo ainda mais dinheiro.

3. Pump and dump e tokens fraudulentos

Em um pump and dump, os promotores inflam o preço de um token e vendem para as pessoas que atraíram. A ASIC alertou sobre esquemas coordenados de pump and dump voltados a investidores de varejo, organizados em aplicativos de mensagens como o WhatsApp, e acrescenta que esses esquemas são ilegais. O Banco Nacional da Eslováquia observa que criar um token pode levar menos de 10 minutos e que o emissor muitas vezes é o maior detentor; entre os desfechos que ele lista estão o rug pull, em que o emissor desaparece com os recursos dos investidores, e o dump, em que pessoas de dentro vendem e o projeto é abandonado. A polícia de Singapura descreve fan tokens “oficiais” falsos, cujo valor é inflado artificialmente antes de os golpistas venderem o que têm, o que faz os preços despencarem.

4. Sorteios falsos (giveaways)

Uma conta hackeada ou falsa de uma celebridade ou de uma empresa promete devolver o dobro do que você enviar. O Banco Nacional da Eslováquia cita a frase típica (“envie 1 ETH e receba 2 ETH de volta”) e diz que qualquer oferta que prometa dobrar seu depósito na hora é quase certamente um golpe. Comentários falsos embaixo da publicação garantem que funcionou. A polícia de Singapura informa que conteúdos deepfake gerados por inteligência artificial, com atletas ou celebridades, têm sido usados para promover esse tipo de plataforma fraudulenta.

5. Falsificação de exchanges e de autoridades

Mensagens que parecem vir da sua exchange avisam sobre um login suspeito e mandam você para uma falsa central de atendimento. Em casos relatados à polícia de Singapura, as vítimas foram orientadas a criar uma nova carteira, transferir seus ativos virtuais para essa carteira recém-criada “por segurança” e revelar seus dados de login. O lembrete da polícia: plataformas licenciadas em Singapura nunca orientam os usuários a transferir seus ativos virtuais para outra carteira ou conta de cripto por motivos de segurança ou de investigação, nem pedem credenciais de login, códigos de autenticação de dois fatores ou frases de recuperação. As autoridades fiscais também são imitadas: o IRS, a receita federal dos EUA, alerta sobre cartas com um QR code que pedem às pessoas que registrem suas criptomoedas em um “portal de conformidade”, e afirma que não exige registro de ativos digitais e que não está enviando essas cartas.

6. Golpes de recuperação

Depois de uma perda, um “advogado”, um “hacker ético” ou uma “agência” se oferece para recuperar o dinheiro mediante uma taxa. O FBI descreve fraudadores que se passam por advogados de escritórios fictícios e afirmam poder investigar casos de recuperação, e lembra às vítimas que as autoridades policiais não cobram das vítimas para investigar crimes. O Banco Nacional da Eslováquia lista os disfarces: os golpistas muitas vezes se passam por advogados, hackers éticos, policiais ou autoridades fiscais. O conselho dele: não confie em entidades desconhecidas que exigem pagamento adiantado.

Sinais de alerta comuns a todos eles

  • Retornos garantidos, fixos ou muito altos, e pressão para agir rápido.
  • Um contato que você não pediu, seguido de um convite para uma conversa privada.
  • Um pedido de pagamento em cripto para uma carteira pessoal, ou para transferir sua cripto para outra carteira supostamente por segurança.
  • Uma taxa, um imposto ou um pagamento de “verificação” antes de você conseguir sacar.
  • Qualquer pessoa pedindo sua senha, seus códigos de dois fatores ou sua frase de recuperação (seed phrase).

Como verificar uma plataforma antes de enviar dinheiro

  1. Descubra a empresa por trás dela (razão social e país) e procure essa empresa no registro oficial do próprio regulador, não no site da plataforma. Nosso guia sobre como verificar a licença de uma corretora mostra o método; cuidado com uma empresa clone que copia o nome de uma empresa real.
  2. Use o registro certo. Exemplos dados pelos próprios reguladores: na UE, o registro da ESMA de prestadores de serviços de criptoativos autorizados; no Canadá, a lista dos Administradores de Valores Mobiliários do Canadá (Canadian Securities Administrators) de plataformas de negociação de cripto autorizadas a operar com canadenses; na Austrália, o registro de prestadores de serviços de ativos virtuais (Virtual Asset Service Provider Register) mantido pelo AUSTRAC. A ASIC diz que as empresas que prestam serviços de ativos virtuais, como trocar dinheiro por ativos virtuais (por exemplo, cripto), precisam ser registradas no AUSTRAC.
  3. Confira o que o registro cobre. A Agência de Consumo Financeiro do Canadá alerta que algumas plataformas de negociação de cripto (CTPs) afirmam ser empresas registradas, mas isso não é o mesmo que estar registrada em um regulador de valores mobiliários. As autoridades europeias acrescentam que uma empresa pode estar autorizada para apenas alguns dos seus serviços.
  4. Pesquise nas listas de alertas. Os reguladores nacionais publicam listas de empresas não autorizadas, e as autoridades europeias também indicam a I-SCAN, a lista de alertas da IOSCO, a organização internacional dos reguladores de valores mobiliários. A ASIC mantém uma lista de alertas ao investidor. Um resultado limpo não prova que uma plataforma é segura, porque um site de golpe pode ser novo demais para estar na lista, mas um resultado positivo é um sinal claro para parar.
  5. Teste a saída. Espere verificações de identidade de uma plataforma regulada e faça um pequeno saque para uma conta em seu próprio nome antes de depositar mais.

Se você caiu em um golpe

Pare de enviar dinheiro, guarde todas as mensagens, endereços e registros de transações, e denuncie à polícia e à plataforma pela qual você pagou; a polícia de Singapura orienta as vítimas a entrar em contato com a exchange de criptomoedas para interromper novas transações ou congelar a conta, se possível. Depois, espere ofertas de recuperação e recuse todas.

Cripto é arriscado mesmo em plataformas legítimas, e o que é permitido varia de país para país; nossas páginas “a cripto é legal?” citam o que dizem os reguladores de cada país.

Fontes e referências